Auto-observação e persistência são requisitos fundamentais para quem se trata pela homeopatia. Neste artigo, não trataremos de persistência. Persistência requer disciplina, e disciplina consigo próprio é tema que deveríamos desenvolver.

Para que o médico homeopata possa lhe ajudar, não basta que você diga “tenho rinite” ou “estou deprimido”. É importante que você seja capaz de observar e descrever “qualquer fenômeno ou mudança provocado no organismo por uma doença”. Esta, aliás, é a definição de “sintoma” no dicionário Aurélio. Os sintomas são a matéria-prima da homeopatia. A partir deles, é feita a busca do remédio mais bem indicado para o seu caso. Muitas vezes, dizer o que sentimos é um processo natural, espontâneo. Não implica em nenhuma racionalidade. Bem sabem os homeopatas da enorme validade de um relato que não precisa de perguntas adicionais, no qual praticamente não se ouve a voz do médico.

Para que o médico homeopata possa compreender melhor o seu paciente, vão aqui algumas sugestões que podem ser levadas em conta na sua próxima consulta:
– Como tudo começou? Procurar o começo do seu mal e as circunstâncias de sua vida nesse momento podem ter importância capital em seu tratamento, além de muitas vezes identificar causas que possam ser removidas. 
– Buscar em agendas antigas (especialmente para quem anota o que lhe acontece) datas importantes de fatos relevantes. Motivado por essa busca, tentar uma espécie de autobiografia. Fazer ordem cronológica das doenças e de fatos mais importantes de sua vida. 
– Passar a anotar na agenda atual fatos ocorridos e sensações observadas a partir do tratamento (verificar se o mesmo já não ocorria antes). Evitar divagações. Não importa tanto o fato em si, mas sua reação, o que lhe ofende, qual a impressão que lhe marca.
– Procurar definir início, freqüência e duração de cada sintoma. Experimentar que circunstâncias pioram ou melhoram determinada sensação. Marcar em um calendário a freqüência dos sintomas, usando um símbolo para cada sintoma. Mulheres: não esquecer do ciclo menstrual.
– Estar atento no momento da sensação. Pode ser difícil, inexplicável ou muito subjetivo, mas não custa tentar.
– Responder as perguntas do médico valendo-se de velhas armas: perguntar para a mãe, companheiro (a) e amigos. Porém, acima de tudo, estar desarmado. O médico não está ali para julgar-lhe. Todos somos humanos, portanto erramos. Ou, como diz a música: “de perto ninguém é normal”.
– Não esquecer de relatar que medicamentos usa regularmente, para que toma e como se sentia antes de tomá-los. Se parou de tomar, como se sentiu vários dias após a sua suspensão?
– Observar o que acontece e como se sente a partir do tratamento homeopático. Nota alguma reação logo após ou nos dias subseqüentes ao uso do remédio? Não se preocupar se estas sensações são devidas ao medicamento. Esta parte da tarefa cabe ao médico. 

Acima de tudo, o tratamento implica em sinceridade e confiança, e a evolução depende de cada um fazer a sua parte.

Ben-Hur Dalla Porta é médico homeopata, vice-presidente da LHRS. Artigo originalmente publicado na Revista Novos Rumos de maio de 2007.

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