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O aniquilamento do patrimônio cultural de Porto Alegre no Parque Farroupilha

Manifestação do médico homeopata Ben-Hur Dalla Porta, diretor científico da LHRS, na Tribuna Popular
da Câmara Municipal de Porto Alegre, em 20/3/2014.
Foto: Francielle Caetano

O aniquilamento do patrimônio cultural de Porto Alegre no Parque Farroupilha: o caso da Liga Homeopática do Rio Grande do Sul

Na noite de 4 para 5 de janeiro de 2014, a herma de Hahnemann[1] situada no Parque Farroupilha, foi roubada. O fato constituiu o triste coroamento de uma série de roubos, que desnudaram a avenida João Pessoa de nossos monumentos, tombados como patrimônio histórico de Porto Alegre.

Desde outubro de 2013, ou seja, num lapso de três meses, eliminaram-se as homenagens sequenciais a três médicos desta avenida, sendo dois deles eminentes gaúchos.

Desta vez, o roubo do bronze de Hahnemann se deu com ousadia e técnica profissional. O monumento de 100 kg foi serrado em sua base e removido com parte dela em uma avenida movimentada, mesmo à noite, sem que ninguém notasse ou acionasse a polícia. Este fato comprova a ação de uma quadrilha especializada neste tipo de crime.

A herma de Hahnemann foi erigida no Parque Farroupilha em 1943, pela Liga Homeopática do Rio Grande do Sul[2]. A LHRS, ou Liga, como é mais conhecida, é uma instituição sem fins lucrativos e de utilidade pública, com o objetivo de congregar pessoas interessadas na divulgação, prática e ensino da homeopatia. Foi fundada em 1941 por um grupo de homeopatas e entusiastas liderados pelo médico David Castro[3].

O dr. David, pernambucano, formado em medicina na Bahia e em homeopatia no Rio de Janeiro, aqui radicou-se nos anos 40. Viveu no Rio Grande do Sul seus anos mais profícuos e realizou um extraordinário trabalho de divulgação da homeopatia, reconhecido não só no Brasil, como mundialmente. Começou seu trabalho a partir de palestras radiofônicas com ampla audiência popular.

Numa estratégica ação, erige a primeira herma à homeopatia em praça pública da América do Sul, inaugurada em 29/8/1943. O ano foi escolhido para comemorar o centenário de falecimento do fundador da homeopatia, o médico alemão Samuel Hahnnemann. A instalação do monumento obteve parecer favorável da municipalidade a partir da avaliação do relator Alberto Pasqualini. Em seu brilhante parecer, expõe o dr. Pasqualini[4]: “Não vejo nenhum inconveniente em que seja concedida esta permissão. Não é a prefeitura, mas a Liga Homeopática que vai prestar a homenagem. Hahnemann criou uma nova forma de curar. Muitos poderão considerar errada sua doutrina do Similia Similibus Curantur, e ineficaz ou ingênua a terapêutica das doses infinitesimais e das dinamizações. Pouco importa, porém, se a verdade está com a homeopatia ou a alopatia. Haverá por acaso uma verdade? O que interessa aqui é o homem e sua preocupação em encontrar novos métodos de combater as enfermidades e aliviar os sofrimentos humanos. Este é o grande merecimento dos sábios, sejam quais forem suas teorias e doutrinas.” Com isto, o prefeito Loureiro da Silva[5] publica um decreto concedendo à Liga Homeopática a permissão para construir um busto a Samuel Hahnemann. O trabalho escultórico, de beleza ímpar, foi executado pelos artistas locais Adão Pereira da Silva e Guilherme Gaudenzi.

A partir de sua inauguração, a herma de Hahnemann passa a ser um local de peregrinação e homenagem. A cada visita de um homeopata, cada Congresso, cada efeméride, os homeopatas homenageiam seu mestre, sendo que há registros destas homenagens desde os anos 40.

Em 1949, o busto de cimento branco é substituído por bronze. No discurso desta substituição, David Castro refere: “esta mudança é um símbolo. Símbolo da eternidade a que está fadada a doutrina que a humanidade lhe deve. Símbolo da firmeza e integridade dos seus princípios. Símbolo da consolidação da terapêutica homeopática em nosso estado.” E conclui almejando que este novo busto seja expectador de uma progressiva melhoria da espécie humana.

Em 1952, realiza-se o IVº Congresso Brasileiro de Homeopatia em Porto Alegre, sendo o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo. Desta vez, é o Governo do Estado que o declara oficializado, através de decreto do governador General Ernesto Dornelles[6]. Diversas solenidades são realizadas e os congressistas visitantes recebem festiva recepção no aeroporto Salgado Filho. Todo o evento foi registrado em filme de 35mm, cujo documentário realizado pela Leopoldis-Som[7], a Liga mantém em seu acervo, necessitando restauro para exibição pública. Na ocasião, foi inaugurado o 3º Dispensário Homeopático (espécie de ambulatório) no bairro Menino Deus, atual sede da instituição, e a herma ao médico homeopata Licínio Cardoso[8] (de Lavras do Sul), no Parque Farroupilha. Diversas homenagens foram prestadas ao mais eminente homeopata gaúcho por ocasião do centenário de seu nascimento. Inauguraram a herma o general Ernesto Dornelles, governador do Estado, o prefeito Ildo Meneghetti[9] e parentes do homenageado, dr. Licínio Cardozo. O busto, de excelente talhe, foi realizado pelo brilhante escultor André Arjonas[10], espanhol radicado no Estado, que autografou a obra.

Lado a lado, as duas hermas no Parque Farroupilha (de Hahnemann e Licínio) colocaram Porto Alegre numa geografia ímpar: não havia no mundo duas homenagens a homeopatas em praça pública tão contíguas – fato que reforçou a tradição dos homeopatas gaúchos em reverenciar seus mestres.

Em 1959, em mais uma iniciativa da LHRS, foi criado o Dia Nacional da Homeopatia, comemorado em 21 de novembro. A data é o dia da chegada ao Brasil de Benoit Mure[11], homeopata francês e introdutor da doutrina em nosso país, em 1840. Desde então, é a data máxima dos homeopatas brasileiros – que sempre realizam homenagens e programações científicas neste dia. Recentemente, o Dia Nacional da Homeopatia foi incluído no Calendário Oficial de Datas Comemorativas e de Conscientização do Município de Porto Alegre, numa iniciativa do vereador professor Garcia.

Esta avassaladora e nova onda de roubos no Parque Farroupilha produz um vácuo em nossa memória cultural. Há o registro de pelo menos duas décadas de destruição de obras de arte públicas em nossa cidade, segundo o professor de escultura José Francisco Alves[12] – que realizou um sistemático trabalho de levantamento do acervo escultórico ao ar livre no município, publicado no livro “A Escultura Pública em Porto Alegre”. São roubos e saques tão cotidianos que nos colocam no patamar de capital mundial de destruição da Arte Pública.

A coordenação da Memória Cultural, ligada à Secretaria Municipal de Cultura, é o setor responsável pela manutenção dos monumentos. Entretanto, não consegue sequer inventariar em números esta destruição e o que ainda resta para tentar salvar. A administração do Parque Farroupilha limita-se a registrar os boletins de ocorrência policial, muitos dos quais alertados por cidadãos. Foi o que aconteceu com os três monumentos citados inicialmente. Se a Liga não tivesse alertado a Prefeitura de Porto Alegre, não teríamos sequer as datas de ocorrência policial. Algumas peças de bronze mantém-se temporariamente abrigadas, porém, escondidas da apreciação do público e sem perspectiva de serem recolocadas. Não se sabe de nenhuma iniciativa de investigação séria na cadeia de comercialização do bronze no município – que alimenta estes saques.

Sem a efetiva participação do poder público, através de um serviço permanente de manutenção e restauro do patrimônio histórico, Porto Alegre vai empobrecendo e tornando-se um campo neutro, sem vestígios de nossa rica memória e história. Um breve passeio no Parque Farroupilha já nos dá a dimensão desta triste realidade, repleta de inúteis pedestais ao nada, a ninguém, apenas suportes à pichação generalizada.

É evidente que a cidade, além de não cuidar de seu patrimônio, também o ignora. E falamos aqui não apenas de governo, mas de instituições e da própria população. Esta é a cultura que devemos mudar! Não basta apenas constatar, precisamos ações afirmativas. Uma das alternativas que a Liga já implantou foi a substituição do medalhão de bronze, roubado do jardim da entidade, por uma imagem em resina do dr. David Castro, executada pelo artista local, Bruno Teixeira.

Queremos restituir os monumentos da LHRS aos seus locais de origem, com a colocação de réplicas em resina das esculturas roubadas do Parque Farroupilha – para que possamos manter nossa tradição e contarmos às gerações futuras um pouco da história da homeopatia. Mais que isso, para que nos apropriemos de nossa história, aspecto essencial da cidadania. Concluo com a frase do professor Francisco Riopardense de Macedo[13], historiador, arquiteto, artista plástico e urbanista porto-alegrense: “Quem não conhece a história de sua cidade, que é parte de sua própria história, não é um cidadão. É um hóspede!”

[1] Christian Friedrich Samuel Hahnemann (Meissen, 1755 – Paris, 1843) médico fundador da homeopatia em 1779.

[2] Liga Homeopática do Rio Grande do Sul (LHRS) – É uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 1941, que tem por objetivo a divulgação, a prática e o ensino da homeopatia. Atualmente, seu corpo clínico compõe-se de 13 médicos, 10 veterinários e uma dentista – que realizam atendimento na sede da entidade, localizada na avenida Getúlio Vargas, 169.

[3] David Castro (Recife, 1915- Rio de Janeiro 1980), médico homeopata fundador da LHRS.

[4] Alberto Pasqualini (Ivorá, 1901 – Rio de Janeiro, 1960), advogado, professor, sociólogo, ideólogo e doutrinador trabalhista. Foi vereador de Porto Alegre em 1934 e senador pelo Rio Grande do Sul em 1950.

[5] José Loureiro da Silva (Porto Alegre, 1902 – 1964) foi prefeito de Gravataí (1931 e 1933) e prefeito de Porto Alegre por dois períodos (1937-1943 e 1960-1964). Era descendente do sesmeiro Jerônimo de Ornelas.

[6] Ernesto Dorneles (São Borja, 1897 – Rio de Janeiro, 1964), militar, governador do Rio Grande do Sul em duas ocasiões (1943-1945 e 1951- 1955), senador pelo Estado em 1945 e ministro da Agricultura em 1956. Era primo do ex-presidente Getúlio Vargas.

[7] Cinegráfica Leopoldis-Som (1920 1981), empresa fundada pelo italiano Italo Majeroni – que produziu cerca de 360 documentários institucionais, cinejornais e comerciais para TV.

[8] Licínio Atanazio Cardozo (Lavras do Sul, 1852 – Lisboa, 1926), médico homeopata gaúcho de reconhecimento internacional.

[9] Ildo Meneghetti (Porto Alegre, 1895 -1980), engenheiro, foi prefeito de Porto Alegre por duas vezes (1948 e 1951-1954) e governador do Rio Grande do Sul também em duas ocasiões (1955- 1959 e 1963 e 1966-1951).

[10] Andrés Arjona Guillén Málaga (Antequera, Espanha, 1885 – Porto Alegre, 1970), escultor, arquiteto e decorador.

[11] Benoît Jules Mure (Lyon, 1809 – Cairo, 1858), médico considerado um dos introdutores e grande incentivador da homeopatia no Brasil, onde também é referido como Bento Mure.

[12] José Francisco Alves de Almeida (Sananduva, 1964) é um historiador de arte, curador, pesquisador e professor de escultura do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.

[13] Francisco Riopardense de Macedo (Porto Alegre, 1921-2007), historiador, paisagista, poeta, urbanista, artista plástico, arquiteto e engenheiro.

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Homeopatia e Odontologia Vera Lúcia Scheeren

A Homeopatia dentro da Odontologia tem uma ampla aplicação, principalmente em situações onde há limitações nos tratamentos convencionais, como ansiedades, medos, fobias relacionadas ao próprio tratamento odontológico, bruxismo, halitose, estomatites, controle e diminuição de aftas, herpes labial, gengivites, periodontites e nevralgia do trigêmio, entre outras aplicações.

Nas gengivites e periodontites, além do tratamento convencional, o cirurgião-dentista homeopata utiliza os medicamentos homeopáticos como meios auxiliares para uma melhora acentuada e duradoura do paciente.

No tratamento de bruxismo (ranger de dentes), a Homeopatia tem mostrado ótimos resultados, uma vez que é sabido que uma de suas principais causas é o fator emocional.

Usada no pré, trans e pós-operatório de cirurgias bucais, a Homeopatia diminui sangramentos, edemas e a dor, trazendo conforto para o paciente, auxiliando e acelerando o processo cicatricial.

Em implantes dentários melhora a osteo-integração, estimulando uma formação óssea de ótima qualidade. A Odontologia busca na Homeopatia uma nova forma de abordar a saúde bucal, a começar com a anamnese. O cirurgião-dentista homeopata gasta o dobro do tempo ou mais numa consulta, e é necessário que o paciente entenda que – além de cuidar dos dentes – o profissional busca o conhecimento deste como indivíduo, através do relato da sua vida, saúde e relacionamento com as pessoas, unindo a isso sinais e sintomas descritos. O profissional homeopata saberá reunir toda essa informação para prescrever os medicamentos que mais se assemelham àquele paciente.

Entretanto, é importante ressaltar que a Homeopatia na área da Odontologia tem a limitação do procedimento clínico, sendo necessário o ato cirúrgico e a utilização de anestesia, sendo que não há medicamento que possa substituí-la.

Agende seu horário: (51) 32 28 09 15

* Vera Lúcia Scheeren é formada em Odontologia pela PUCRS (1983), habilitada em Homeopatia (Facis-Ibehe, 2008, Psicologia Transpessoal (Unipaz, 2010), Reick (2001),Terapia de Florais (2001). Atualmente, trabalha para a Associação dos Funcionários Municipais de Porto Alegre e no consultório particular.

*, Jeanne Dias

Auto-observação em homeopatia Ben-Hur Dalla Porta

Auto-observação e persistência são requisitos fundamentais para quem se trata pela homeopatia. Neste artigo, não trataremos de persistência. Persistência requer disciplina, e disciplina consigo próprio é tema que deveríamos desenvolver.

Para que o médico homeopata possa lhe ajudar, não basta que você diga “tenho rinite” ou “estou deprimido”. É importante que você seja capaz de observar e descrever “qualquer fenômeno ou mudança provocado no organismo por uma doença”. Esta, aliás, é a definição de “sintoma” no dicionário Aurélio. Os sintomas são a matéria-prima da homeopatia. A partir deles, é feita a busca do remédio mais bem indicado para o seu caso. Muitas vezes, dizer o que sentimos é um processo natural, espontâneo. Não implica em nenhuma racionalidade. Bem sabem os homeopatas da enorme validade de um relato que não precisa de perguntas adicionais, no qual praticamente não se ouve a voz do médico.

Para que o médico homeopata possa compreender melhor o seu paciente, vão aqui algumas sugestões que podem ser levadas em conta na sua próxima consulta:
– Como tudo começou? Procurar o começo do seu mal e as circunstâncias de sua vida nesse momento podem ter importância capital em seu tratamento, além de muitas vezes identificar causas que possam ser removidas. 
– Buscar em agendas antigas (especialmente para quem anota o que lhe acontece) datas importantes de fatos relevantes. Motivado por essa busca, tentar uma espécie de autobiografia. Fazer ordem cronológica das doenças e de fatos mais importantes de sua vida. 
– Passar a anotar na agenda atual fatos ocorridos e sensações observadas a partir do tratamento (verificar se o mesmo já não ocorria antes). Evitar divagações. Não importa tanto o fato em si, mas sua reação, o que lhe ofende, qual a impressão que lhe marca.
– Procurar definir início, freqüência e duração de cada sintoma. Experimentar que circunstâncias pioram ou melhoram determinada sensação. Marcar em um calendário a freqüência dos sintomas, usando um símbolo para cada sintoma. Mulheres: não esquecer do ciclo menstrual.
– Estar atento no momento da sensação. Pode ser difícil, inexplicável ou muito subjetivo, mas não custa tentar.
– Responder as perguntas do médico valendo-se de velhas armas: perguntar para a mãe, companheiro (a) e amigos. Porém, acima de tudo, estar desarmado. O médico não está ali para julgar-lhe. Todos somos humanos, portanto erramos. Ou, como diz a música: “de perto ninguém é normal”.
– Não esquecer de relatar que medicamentos usa regularmente, para que toma e como se sentia antes de tomá-los. Se parou de tomar, como se sentiu vários dias após a sua suspensão?
– Observar o que acontece e como se sente a partir do tratamento homeopático. Nota alguma reação logo após ou nos dias subseqüentes ao uso do remédio? Não se preocupar se estas sensações são devidas ao medicamento. Esta parte da tarefa cabe ao médico. 

Acima de tudo, o tratamento implica em sinceridade e confiança, e a evolução depende de cada um fazer a sua parte.

Ben-Hur Dalla Porta é médico homeopata, vice-presidente da LHRS. Artigo originalmente publicado na Revista Novos Rumos de maio de 2007.